Atividade Física

O perigo de ser atleta de fim de semana

Quando se trata de exercício físico, o peso na consciência pode ser fatal. Quem está em débito com o corpo costuma se jogar na malhação como se o mundo (ou o contrato com a academia) fosse acabar no dia seguinte. Há também quem acredite que uma pelada no fim de semana seja o suficiente para manter a saúde em dia.

Uma pesquisa publicada pelo Journal of American Medical Association (JAMA), no entanto, mostrou que atletas de fim de semana aumentam seus riscos de problemas cardíacos em 2,7 vezes. Em outra pesquisa, realizada com 6 milhões de membros de academia durante dois anos, 70% das pessoas que morreram exercitavam-se somente uma vez por semana.

Antes de começar uma atividade, portanto, uma avaliação médica profissional é indispensável. Se seu médico ou o da academia recomenda que você faça 30 minutos de bicicleta três vezes por semana, não decida por conta própria começar uma aula extra de pilates. Além dos riscos ao coração, o treino exagerado pode trazer sérios problemas musculares, ósseos ou de articulações. É frequente eu encontrar pacientes que tiveram algum problema após treinar sem medida, mesmo quando proibidos de fazer exercícios até segunda ordem. Pelo próprio perfil, as pessoas ocupadas parecem capazes de convencer qualquer um de que estão aptos.

A principal causa de mortes súbitas são as arritmias – alterações dos batimentos cardíacos. O tratamento preventivo é altamente eficaz, permitindo evitar boa parte das mortes – que não são exclusividade de quem está acima do peso ou leva uma vida sedentária. Pessoas com histórico de desmaios ou casos de morte súbita na família devem fazer testes aprofundados periodicamente.

A morte súbita pode ser revertida se tratada rapidamente com um choque elétrico aplicado no peito. Mas poucas tentativas são bem-sucedidas após 10 minutos. Há vários anos, está parado no Congresso Nacional um projeto de lei que obriga locais com grande circulação de pessoas, como shoppings, aeroportos, rodoviárias e estádios, a terem um desfibrilador. O acesso público ao aparelho – e a alguém treinado para usá-lo – pode fazer com que a sobrevida suba de menos de 2% para 40% a 45%, em média.

A prática regular de exercícios – aeróbicos de quatro a cinco vezes por semana e de fortalecimento muscular duas vezes por semana – reduz a hipertensão, diminui o risco de sofrer infarto e aumenta a longevidade. Só não podem ser feitos a esmo. Se você anda em débito com seu cardiologista, não adianta querer pagar a conta com a boa forma de uma vez só. O preço pode ser muito alto.

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