O Carnaval e as doenças escondidas no beijo – Grupo Qualidade em Saúde
Ações Sociais

O Carnaval e as doenças escondidas no beijo

Dentistas alertam para os perigos das doenças provocadas pela saliva, que neste período de carnaval, crescem entre jovens e se tornam um problema de saúde pública. Entre as doenças possíveis de serem transmitidas pelo beijo estão a Mononucleose e o HPV.

Todas as regiões do país se preparam para uma das festas mais comemoradas e democráticas, o carnaval. Nos salões dos clubes, nas ruas com os blocos, a folia está garantida. A festa mais popular do mundo promove alegria, a diversão é contagiante e naturalmente provoca muitos beijos na boca, principalmente entre jovens de 16 a 25 anos.

Para os pesquisadores da área de Enfermagem da Universidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, que fizeram uma análise, em 2017, sobre o Conhecimento e o Comportamento Sexual de Adolescentes, concluíram que a adolescência é uma fase da vida que os indivíduos assumem muitos riscos com pouco conhecimento, inclusive no relacionamento com múltiplos parceiros.

Em uma outra pesquisa sobre As Doenças do Beijo, de julho de 2015, realizada com 24 universitários do Instituto de Educação Superior da Paraíba, entre as idades de 18 e 30 anos apontou que 46% das pessoas beijam em festas sem compromisso. Eles não se importam com a quantidade de pessoas que beijam. Em média, 3 pessoas por festa. Todos os participantes disseram que sabem que o beijo transmite doenças e no entanto, não se importam com esta situação. 

Portanto, no carnaval, a animação e alegoria vem acompanhadas com um problema de saúde pública. Existem muitas campanhas voltadas para a conscientização da prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e campanha alguma falando sobre doenças que podem surgir pela saliva.

O Grupo Qualidade em Saúde, o maior grupo de dentistas da América Latina, com práticas integradas para o desenvolvimento de ações sociais e campanhas de prevenção, conscientização e cuidados da saúde bucal, está promovendo em todo Brasil, por meio dos seus 750 dentistas, ações de acesso a informação sobre este sério problema de saúde pública.

“A boca é porta de entrada para doenças como herpes, HPV, sífilis e mononucleose (doença do beijo)”. O alerta é do dentista Marcelo Drummond Naves, membro do Grupo Qualidade em Saúde de Minas Gerais, com especialidade em Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial e Estomatologia, e ainda, professor da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais.

A primeira vista é muito difícil o parceiro ou parceira identificar algum problema de saúde e consequentemente o risco de contaminação.

“Geralmente, algumas anomalias nos lábios, língua, garganta, gengiva ou até mesmo nos dentes demoram para serem percebidas e os sinais aparecerem quando a doença está em estado avançado. No caso da sífilis por exemplo, sua fase primária se caracteriza por uma ferida indolor, podendo haver contágio pelo contato da lesão”, comenta a dentista Renata da Rocha Hoffman, doutora em Estomatologia, do Grupo Qualidade em Saúde do Rio Grande do Sul.

As principais doenças transmitidas pela salivaO beijo não é uma demonstração de carinho sem consequência, atrás deste ato pode ocorrer, por exemplo, a transmissão de cárie e gengivite além de outras várias doenças, entre elas:

A Mononucleose, conhecida como a doença do beijo, é uma das doenças mais comuns transmitidas pela saliva. Ela se manifesta dias depois do contágio e os sintomas são muito parecidos com uma gripe forte. A pessoa pode ter como sintomas febre alta, tosse, cansaço e não relacionar estes sintomas com a doença.

O Papilomavírus, o HPV, é outra doença relacionada. O vírus é causador do câncer de útero, cabeça e pescoço. O HPV pode ser transmitido tanto pelo sexo oral quanto pelo beijo.Na boca, o papilomavírus apresenta lesões semelhantes as verrugas, principalmente na região labial. O problema é que essas lesões demoram para serem percebidas e se tornarem visíveis. Segundo o Ministério da Saúde, mais da metade da população, com idades entre 16 e 25 está infectada com o HPV. Estes dados foram divulgados em novembro do ano passado. E na tentativa de controlar este problema, o MS vem incentivando a vacinação contra o HPV para meninas, de 9 a 14 anos e para meninos, de 11 a 14 anos.

O Herpes labial está ligado a baixa imunidade que favorece a proliferação do vírus. Também é uma doença facilmente transmitida pela saliva durante o beijo ou até mesmo por compartilhamento de talheres e copos usados pela pessoa contaminada. O período de incubação do herpes varia entre 2 a 26 dias. As lesões surgem de 4 a 6 dias após a contaminação e além dos lábios podem aparecer na gengiva, faringe, língua, céu da boca, interior das bochechas e até mesmo na face e pescoço. Quando as lesões estão visíveis, a quantidade de vírus na cavidade oral aumenta, facilitando ainda mais a contaminação.

A Sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e os sinais e sintomas dependem do estágio da doença. Pode ser transmitida pelo sexo, sexo oral, pela saliva e compartilhamento de escova de dentes. Algumas pessoas confundem com afta por isso é fundamental consultar um dentista. Depois da região genital as mais atingidas são as dos lábios, língua, céu da boca, gengiva e amídalas.

O Resfriado é uma infecção viral. Se esta doença pode ser transmitida apenas por um espirro, imaginem então pelo beijo. A transmissão se dá por estes três canais: olhos, nariz e boca. Febre, tosse, espirro e cansaço são alguns dos sintomas.

Para estas doenças o diagnóstico é feito com exame laboratorial e consulta ao dentista. O quanto antes detectada a doença, melhor será a eficácia do tratamento. Mas a prevenção ainda é o melhor caminho. Além dos programas de vacinação, o Professor Marcelo Naves da FOUFMG, ressalta que a melhor forma de diminuir o risco de transmissão dessas doenças é manter os tecidos da boca como dentes, gengivas e mucosas em bom estado, ou seja, saudáveis. “Para isso, manter escovação e uso de fio dental adequado diariamente além de visitas regulares ao dentista. Boca saudável evita doenças “, reforça o professor, integrante do grupo QS.

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