Nutrição

Nutra uma gravidez saudável

A maternidade cria um laço invisível de afeto e nutrição que se inicia muito antes do nascimento. É um momento de profundas mudanças – não apenas físicas, mas também emocionais.

Este é um período que exige grande demanda metabólica. Isso inclui uma série de fatores, como aumento do volume de sangue, aumento da função cardíaca, da função renal e da redução do movimento gastrointestinal. É por isso que cuidar da sua alimentação é fundamental para se adaptar com tranquilidade às intensas transformações dessa fase da vida.

Conforme o tempo passa, os hormônios se modificam e a grávida pode enfrentar uma série de emoções. Alguns sistemas no corpo feminino mudam completamente para ajudar futuramente no desenvolvimento do bebê. O corpo materno se prepara para a chegada do pequeno, e as maiores mudanças são no aspecto emocional.

Às vezes, quando mudamos nosso humor, buscamos em alguns alimentos uma maneira de “compensar” os sentimentos. Com a gestante isso não é diferente. O que muda é a frequência disso, o que intensifica a mudança na alimentação diária.

Diante da ansiedade acaba sendo inevitável o excesso de comidas mais calóricas. O impacto desse desequilíbrio na alimentação pode ser tão prejudicial para a mãe quanto para o bebê. Alimentar-se inadequadamente pode levar à desnutrição, sobrepeso ou até mesmo obesidade. Em contrapartida, dietas restritivas também não são recomendadas neste período, assim como a crença popular de que se deva comer além do necessário.

O encontro de dois gametas se transforma, depois de 9 meses, em um corpo vivo que pesará cerca de 3Kg ou mais. Esse processo, com certeza, exige um suprimento adequado. Se alimentar bem é colaborar com a sabedoria natural do seu corpo e do seu filho.

 

Olhar nutricional e o ganho de peso durante a gestação 

As recomendações para o ganho ou perda de peso ideal irão depender do estado nutricional de cada mulher antes da gestação. O peso que a gestante ganha não é só do bebê; lembre-se que há aumento do volume de sangue, dos líquidos do corpo, do peso do próprio útero que se expande, placenta, etc. Por isso, seja gentil com seu corpo e ele certamente retribuirá. Antes de tudo, se possível, vale a pena o acompanhamento de um especialista em nutrição.

O acompanhamento nutricional é individualizado e deve levar em conta a rotina alimentar da mãe antes de engravidar, incluindo seu estado nutricional, suas necessidades e preferências. Exames laboratoriais associados à avaliação cuidadosa de sinais e sintomas podem indicar se há ou não necessidade de suplementos alimentares.

É importante enfatizar que, mesmo nos casos de suplementação, a melhor forma de nutrição ainda vem da comida caseira, com temperos naturais, priorizando os alimentos orgânicos e eliminando o excesso de aditivos químicos (adoçantes, aromatizantes, corantes e conservantes). Evitar ao máximo os embutidos, o excesso de refinados e a gordura vegetal hidrogenada. O quadro de enjôos, muito comum no primeiro trimestre gestacional, pode ser aliviado se a gestante fracionar as refeições ao longo do dia para evitar longos períodos de jejum, além de reduzir a quantidade de gordura ingerida.

Alimentos em excesso não são bem-vindos, principalmente na forma de doces e alimentos gordurosos, pois podem dificultar a circulação sanguínea e aumentar a gordura corporal. O excesso de sal também deve ser evitado, pois aumenta a pressão arterial.

 

Principais nutrientes para consumir durante a gestação

PRIMEIRO TRIMESTRE

Nessa fase, quando o volume sanguíneo se eleva, é importante consumir verduras verde-escuras e outros alimentos ricos em ferro e ácido fólico – que são micronutrientes essenciais para esse período.

Ácido fólico (ou vitamina B9)

É o nutriente mais utilizado pelas grávidas. Sua ingestão previne defeitos na formação do tubo neural do feto (estrutura que dará origem ao cérebro e à medula espinhal). A maioria dos médicos recomenda, para as mulheres que desejam engravidar, o consumo da vitamina B9 pelo menos três meses antes da concepção e nos primeiros 3 meses da gestação. Esse procedimento é comum porque o consumo de ácido fólico nem sempre é suficiente apenas por meio da alimentação.

 

SEGUNDO TRIMESTRE

Vitamina C

Age na formação do colágeno, que compõe pele, vasos sanguíneos, ossos e cartilagem. Aumenta a absorção do ferro e fortalece o sistema imunológico.

Magnésio

O mineral favorece a formação e o crescimento dos tecidos do corpo.

Vitamina B6

Importante para o crescimento e o ganho de peso do feto. Auxilia na prevenção da depressão pós-parto!

Ferro

É essencial na produção da hemoglobina, proteína responsável pelo transporte do oxigênio via sangue. Previne anemias que podem acometer tanto o bebê quanto a mãe.

 

TERCEIRO TRIMESTRE

Cálcio

Devido ao seu papel na formação óssea do bebê, esse mineral é nutriente obrigatório na dieta da futura mamãe. Sua deficiência pode provocar cáries, cãibras e unhas quebradiças. O cálcio tem outra nobre função: auxiliar a produção de leite após o parto. Colabora no processo de coagulação do sangue e na boa manutenção da pressão sanguínea, dos batimentos cardíacos e das contrações musculares. Mas vale uma dica: evite consumir fontes de ferro e cálcio juntas, como carne e leite, pois um nutriente atrapalha a absorção do outro.

Diante de tantas expectativas, a gravidez é o momento preciso para nutrir a vida de saúde. Para um entendimento mais personalizado, não hesite em procurar uma nutricionista de confiança.

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